Dízimo em dobro será lei?

(porque não existe palavra correspondente a 20%, neste caso)

Vocês provavelmente já leram ou ouviram sobre o assunto. Mas, fato é que o senhor senador Crivella quer aumentar a taxa de gorjeta em bares e restaurantes. Como se já não bastasse alguns estabelecimentos exigirem o pagamento de 10 até 12%, o sobrinho do famigerado bispo Edir Macedo quer que os consumidores paguem mais 20%, além do que consumirem em suas contas, caso elas sejam fechadas entre as 11 horas da noite e às 6 horas da manhã.

O principal argumento dos defensores dessa tese é a alta periculosidade enfrentada pelos trabalhadores desse ramo, que são obrigados a deixar seus lugares de trabalho e rumar para casa no meio da madrugada. Agora, convenhamos, o que é mais fácil: exigir do governo uma política de segurança publica mais eficiente ou entrar com um projeto de lei que aumente os gastos dos consumidores, para amenizar o problema? A resposta parece-me bem óbvia.

Vale lembrar que até pouco tempo atrás, o senhor deputado Crivella era candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. Detalhes da eleição à parte, como as descaradas irregularidades na campanha do eleito Eduardo Paes, o político do PRB angariou eleitores principalmente em cerimônias religiosas, nas quais é um dos figurões, como na Igreja Universal do Reino de Deus. Não bastasse, em templos e igrejas de sua responsabilidade, distribuiu panfletos difamatórios de Gabeira, insinuando, falsamente, que o candidato do PV estava nu a beira da piscina do clube do Flamengo. Como ele fez isso? Simplesmente colocou aquela famosa faixa preta, usada para censurar partes íntimas, sobre a sunga vermelha do ex-militante e distribuiu entre os “fiéis”.

Por favor, alguém avise ao “religioso” em questão, que nem todos os cariocas são evangélicos. Só porque aqueles que acreditam em sua palavra gostam, se divertem e acham correto abrir mão de 10% de todos os seus rendimentos para o pastor, não quer dizer que o morador do Rio vai gostar de pagar 20% para empresários que constantemente sobem os preços de seus produtos ao mesmo passo que diminuem os seus tamanhos.

Agora, resta torcer por uma coisa: mesmo que passe o novo projeto de lei, que não se torne obrigatório o pagamento da taxa. Tomara que ele deixe essa idéia, apenas para o seu próximo mandato.

Em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) declarou que é contra a proposta do senador Marcelo Crivella.

Nota do editor: Caro leitor, por favor, nunca vote no Crivella. Você não sabe do que ele é capaz em nome do bem estar próprio da fé.

2 Respostas para “Dízimo em dobro será lei?

  1. É o clássico politico brasileiro que quer tratar o sintoma no lugar da doença

  2. É incrível como um “ser” desses tem tamanhas forças políticas para validar um projeto tão absurdo…
    Além disso, reparei num fator inusitado na justificativa para o funcionamento de tal protocolo; Se os garçons, faxineiros, cozinheiros e etc trabalham das 23h até às 6h da manhã, então eles voltam pra casa com o dia claro, estou enganado? De qualquer forma eu concordo com o Tio Andy, é muito mais fácil pros nossos velhos-lobos do Senado cobrar mais caro pelos serviços do que estudar e por em prática uma política de segurança pública eficaz.

    Abçs

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