Santos

No último dia segundo de maio, que por coincidência caiu um dia depois do famigerado feriado de primeiro de maio, terminou mais uma edição do campeonato paulista. “Ah, ta, e eu com isso, afinal, sou carioca”. É, idiota caro leitor. Mas o importante não foi o estado de origem do torneio. Mas os times que o disputaram. Nas próximas linhas e parágrafos vossa senhoria lerá rabiscados rápidos e mal embasados, ou não, sobre um time que vem dando gosto de assistir jogar, o Santos.

Não assisti a primeira geração de meninos da vila, com Pelé e companhia, por motivos óbvios. Também não assisti à segunda geração de meninos da vila, com Robinho, Diego, Elano e companhia. A razão para isso foi simplesmente eu não estar afim. Embora me lembre bem do dia daquela final contra o Corinthians, quando fui jogar bola logo após o minuto final e perguntei friamente para o primeiro companheiro que adentrou minha casa:

– Quem ganhou?

– Santos.

– Que bom.

Até hoje me pergunto por qual razão achei positivo aquele resultado, mas isso não vem ao caso.

A questão é: a geração Neymar, Ganso, Robinho (?), Felipe, Léo, Marquinhos, Mancha entrou definitivamente para a história, e merecidamente. Afinal, é apenas um grupo de muleques que não fazem nada da vida além de trocar bola, e mesmo assim levam alegria a milhares de casa ao redor do país.

O time do Santos joga bonito. É um em um mar de retranqueiros que jogam apenas pelo resultado. O Santos também joga pelo resultado, 8, 9 a 1, 10 a 0, mas também joga pelo show e pela alegria. O melhor time do mundo hoje é indiscutivelmente o do Barcelona. Que fique bem claro que eu não estou comparando Neymar à Messi e Ganso à Xavi. Mas é nítida a discrepância de razões para entrar em campo entre os times campões ao redor do mundo hoje.

Não precisa ir muito longe. O São Paulo foi tri-campeão brasileiro jogando retrancado, feio. O Botafogo venceu o carioca desse ano sem se preocupar com a vitória, mas com a não derrota. A Inter de Milão bateu o magistral Barcelona com um futebol de beleza medíocre, mas de indiscutível eficiência defensiva. A Itália se sagrou campeã do mundo em 2006 com um esquema de retranca histórica.

Comparando mal e parcamente, o Santos de hoje parece o Vasco de 97: a vitória é certa, só falta saber de quanto. O futebol precisa de mais times como esse. Não jogando a bola que o Santos joga, porque não existem jogadores suficientes para isso. Mas jogando pra frente, apostando nos seus atacantes, e não se garantindo com seus defensores.

Neymar e Ganso na seleção? Concordo plenamente. Quase todos os comentaristas do SporTV também, todos os comentaristas da ESPN também. A torcida do Corinthians discorda (“Neymar? Ronaldo é seleção!”), e o Dunga também. E olha que já tão querendo por até o Leonardo depois do fim da Copa. E dalhe Ricardo Teixeira!

Mas fato é que dá gosto ver o Santos jogar. E hoje, como vascaíno convicto, afirmo sem pestanejar: se tiver que optar entre assistir a um Vasco e Flamengo e um Santos e Naviraiense, o peixe leva a melhor, é claro, não o bacalhau. E ao final do jogo, dançarei juntamente aos passos dos Meninos da Vila 3.0.

Get on your dancing shoes, there’s one thing on your mind.

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